terça-feira, 30 de abril de 2013

A Vuvuzela e a Caxirola

Carlinhos Brown "inventou" a caxirola?!?
Apples and oranges. Gosto desta expressão americana para descrever coisas que parecem semelhantes, ou que são em algum aspecto específico, mas são completamente diferentes no fim das contas.

A caxirola e a vuvuzela se encaixam aí. Apples and oranges. A vuvuzela é um instrumento tradicional da África do Sul, obviamente simplificado para ser produzido em massa a baixo custo. Ou pelo menos assim nos foi apresentado (eu não sou especialista em instrumentos musicais sul-africanos).
A caxirola não é um instrumento tradicional brasileiro, embora tenha sido inspirado no caxixi, uma espécie de chocalho usado entre os componentes do berimbau.

Mas, mais importante que isso, a caxirola não é um instrumento tradicional nos nossos estádios. Quem já viu uma dessas num Pacaembu lotado numa final de Campeonato Brasileiro? O som que nós tradicionalmente ouvimos é o de escola de samba.
Instrumentos tradicionais nos estádios de futebol!
O que a caxirola é, de verdade, é um bom produto. Foi criado (ou adotado) pelo Carlinhos Brown para render uma fortuna. A ele ou a quem quer que o inventou.

Cada caxirola que for produzida, rende aos detentores da patente um dinheiro. Se o negócio pegar, como pegaram as vuvuzelas, os caras ficam ricos. Se foi invenção de Brown de fato, ele vai ganhar dinheiro como inventor como jamais ganhou como músico.

Nada contra. Ótima idéia, e quem tem boas ideias merece ganhar por elas. O que é de uma ingenuidade quase comovente é a presidenta Dilma Roussef de garota-propaganda da caxirola.
Dilma Roussef  é garota propaganda da caxirola e nas horas vagas é presidente(a) do Brasil!
Pior, e aí já não me parece ingenuidade, mas resultado de lobby, é o Ministério dos Esportes entrar com o endorsement ao instrumento.

Acho justo a gente ganhar dinheiro com boas ideias. Muito dinheiro, se for muito boa ideia. Algo como o computador, por exemplo, ou o automóvel, ou a cura do câncer. Eventualmente um dinheirinho com a caxirola, instrumento que até tem certa lógica.

Mas aí, se vira, né? Não vai usar o governo federal para ganhar com uma invenção que, de verdade, não vai render dinheiro para ninguém que não para quem inventou.

DCM

Indígenas tentam retomar Aldeia Maracanã e são atacados pela PM

Manifestante tem seus direitos "carinhosamente respeitados" pela polícia do Rio de Janeiro.  Se agora está assim, imagina na Copa!?!
Na tarde da última sexta-feira, indígenas que há um mês foram violentamente despejados da Aldeia Maracanã, tentaram reocupar o prédio. 
Em questão de minutos, o lugar foi cercado por um aparato de guerra mobilizado pelo Estado. Antes mesmo da chegada dos movimentos sociais que apoiam a luta dos indígenas, jornalistas que estavam no local já eram atacados com spray de pimenta pela PM. Em seguida, manifestantes foram presos e, segundo denúncias, alguns deles teriam sido agredidos no caminho até a 18ª delegacia de polícia, onde o caso foi registrado. 
Quando nossa equipe chegou à 18ª delegacia de polícia, um dos manifestantes presos estava algemado e apresentava vários hematomas no rosto e no corpo. Na delegacia, o major do BOPE — a mais letal tropa da polícia militar do Rio — disse que não houve violência da polícia contra manifestantes e jornalistas.

A Nova Democracia

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Claudio Leitão: O Falso Argumento da Governabilidade

O FALSO ARGUMENTO DA GOVERNABILIDADE


Governabilidade é uma palavra substantiva com definições complexas e abrangentes. Neste texto pretendo me ater a uma questão que é muito difundida pela mídia quando ela conceitua que para ter governabilidade é absolutamente necessário ter maioria no parlamento, independendo da esfera do poder. Considero este argumento como uma meia-verdade.

É óbvio que quando o Executivo tem maioria parlamentar fica mais fácil aprovar projetos, leis e fazer o processo de condução política. Entretanto, isso não pode servir de escudo para alianças estapafúrdias com partidos que possuem projetos antagônicos ou políticos reconhecidamente corruptos em nome desta formação de maiorias para sustentar a suposta governabilidade.

Está provado que no decorrer de qualquer governo esta troca escorre para o fisiologismo, condutas não republicanas, barganha, canalhice política e consequentemente, escândalos de corrupção. O exemplo maior deste fato é a forma de alianças que foi costurada no governo Lula e continua durante o governo Dilma. Alianças sem base programática, pautada apenas em distribuição de cargos e benesses, emendas parlamentares individuais que o governo libera ou não, dependendo de como vota o parlamentar, ministérios entregues com porteira fechada, além de outros. Alianças com políticos que antes eram execrados por serem notórios ladrões de dinheiro público como Sarney, Renan, Collor, Barbalho e Maluf  são justificadas por esta falsa argumentação. Fatos semelhantes ocorrem nos Estados e Municípios.

Aqui em nosso município constroem-se maiorias assim. Vereadores recebem cargos e benesses do executivo em troca de total subserviência para aprovar tudo sem nenhuma discussão. Este tipo de “governabilidade” transforma a Poder Legislativo em apêndice do governo, e muitas vezes, longe da vontade e do interesse público. Fere de morte a institucionalidade que prevê a independência entre os poderes.

O embate entre o atual prefeito e os dez vereadores “oposicionistas” reflete esta situação quando os papéis não estão bem definidos. Bastou a “quebra de contratos” por parte do prefeito para os vereadores se rebelarem. O tempo e as ações futuras de ambas as partes vai novamente mostrar a população que este modelo precisa ser rompido.

Normalmente, a maioria parlamentar construída sob estes parâmetros serve para votar projetos e leis que beneficiam grupos econômicos que bancaram campanhas políticas em detrimento da vontade popular. 

Querem enfiar goela abaixo da população que só é possível governar construindo maiorias, avalizando a prática do vale-tudo no ambiente político.

Quando as iniciativas de projetos e leis do governo são de interesse social e vão comprovadamente promover mudanças positivas, através de políticas públicas que vão melhorar a qualidade de vida da população, nenhum parlamentar vai votar contra. Um governo eleito pela maioria tem credibilidade e força política popular para pressionar qualquer parlamentar que por interesses escusos se posicionar contra. 

Governar é definir prioridades. O orçamento não comporta todos os interesses. A maioria parlamentar é importante quando a prioridade não é a maioria da população. Vide o caso do Orçamento Geral da União para 2013, aprovado pela maioria parlamentar do governo no congresso, onde ficou definido por exemplo, a destinação de 47% dos recursos para pagamentos dos juros da imoral dívida pública e apenas 3,9% para a Educação e 4,2% para a Saúde. Quem é mais beneficiado por esta medida, os banqueiros ou o grosso da população? As instituições financeiras são os grandes financiadores das campanhas políticas, beneficiando diretamente os grandes partidos. O mesmo script está montado para 2013.

O quadro político não mudará se continuarmos aceitando e dando nosso aval através do voto a este modelo de suposta governabilidade. Ganharão sempre os mesmos.

Temos que questionar certas “verdades” que a mídia altamente comprometida com os interesses econômicos e dominada por grupos políticos conservadores quer nos impor como realidade inevitável. 

“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.”
Eduardo Galeano

Cláudio Leitão é economista e membro da executiva do PSOL Cabo Frio.

Palestina Vive fortalece unidade e solidariedade aos palestinos

Quatro dias que expuseram, através de documentários, o drama e a resistência do povo palestino frente à estratégia de genocídio instalada no Oriente Médio desde a instituição do Estado de Israel em 1948.

A tríplice fronteira foi palco de uma das manifestações mais expressivas, em termos de representatividade, em defesa da causa palestina. Na última semana, dos dias 16 a 19 de abril, mais de 1500 pessoas, representando a diversidade étnica, religiosa, cultural e política, lotaram a sala de cinema do Iguassu Boulevard, em Foz do Iguaçu, para participarem do 1º Ciclo de Debates e Mostra de filmes sobre a causa Palestina.

Idealizada pelo Professor Dr. Jorge Anthonio e Silva, docente da Unila-Universidade Federal da Integração Latino Americana, o objetivo foi o de integrar ainda mais as comunidades da tríplice fronteira, aproveitando a diversidade ética e cultural da região. Foz do Iguaçu, por exemplo, possui mais de 72 etnias, com mais de 20 mil árabes. De acordo com Silva, a escolha da data da realização do evento também foi simbólica, e representou mais um marco do processo de integração entre os povos.

O dia do encerramento, 19, coincidiu com a comemoração de um ano do dia em que Foz do Iguaçu e Jericó, na Palestina, foram declaradas coirmãs, ato que oficializou, entre as duas cidades, o intercâmbio cultural, tecnológico, turístico, educacional, entre outros.

"Regiões assim permitem a criação de projetos culturais comuns, pela comunicação que se instaura entre diferentes culturas linguísticas ampliando a difusão e o empréstimo de traços culturais, na medida do contato entre povos. Esse é o caráter dinâmico da cultura e pode ser colaborativo para a convivência pacífica e integração", destacou Silva.

De acordo com Maria José El Saad, coordenadora geral do evento, a expressiva participação e diversidade foi resultado do envolvimento de várias instituições e movimentos sociais da região ao projeto, demonstrando a adesão da tríplice fronteira à causa Palestina. Entre os parceiros do evento, a Unila, a Itaipu Binacional, Sociedade Árabe Palestina Brasileira de Foz do Iguaçu, Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu e Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu, Federação Árabe Palestina de Foz do Iguaçu, Cebrapaz- Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz, CDH-Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, UJS-União da Juventude Socialista, Companhia de Teatro Amadeus, Iguassu Boulevard e Imprensa local.

A Professora da Unila, Francieli Rebelatto, uma das mediadoras e idealizadoras do projeto, ressaltou a importância do evento. "O evento Palestina Vive superou todas as expectativas tanto em relação ao público como no nível do debate. Foram quatro dias para romper as fronteiras da falta de entendimento em relação à causa Palestina, dos nossos preconceitos e nos encontrarmos em uma causa da humanidade e pelo bem da humanidade". Claudia Ribeiro, da Cia de Teatro Amadeus lembrou a importância das parcerias. "Agradecemos a toda a comunidade Árabe Palestina e deixamos nosso desejo de realizar mais parcerias em prol de causas tão nobres e necessárias como essa"


Força do cinema

As obras cinematográficas, no gênero documentário, arrancaram lágrimas, indignação, e, sobretudo, deixaram o público incomodado com a realidade vivenciada pelos palestinos, que é fragmentada e oculta nos meios de comunicação tradicionais. A seleção das obras foi realizada criteriosamente e buscou desconstruir mitos e a alienação perante a temática.

Durante os quatro dias foram exibidos os filmes, Occupation 101 (2006) com uma extensa pesquisa histórica sobre as raízes do conflito; Check Point (2003), que relata as barreiras impostas aos palestinos pelo governo de Israel com um forte processo de submissão e humilhação, como demonstração de poder; 5 Câmaras Quebradas (2011), que mostra como é a ocupação e como o cinema pode ser um forte instrumento de registro e contribuir para a construção da paz e Budrus (2009), que ressalta a construção do muro separatista por Israel e todas as suas trágicas consequências. 

Além dos filmes, quem visitou o espaço pode conferir parte da história da comunidade árabe local, com o Museu do Imigrante, da Escola Árabe Brasileira, e uma exposição de fotos sobre a Causa Palestina.

Após a exibição dos filmes foram realizados debates com a participação dos pesquisadores Ualid Rabah, diretor cultural da Federação Árabe Palestina , Fábio Bacila, escritor e docente no Colégio Medianeira e Socorro Gomes da Cebrapaz -Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz. "Acredito que devemos nos esforçar mais e mais para libertar a Palestina, e não só porque a queremos libertar para nela celebrar nossas vidas, nossos sonhos, nossa milenar história e nossa fé, mas porque ao fazê-lo, estaremos libertando cada israelense do sionismo e do estado degenerado que suas elites construíram ao arrepio de toda moralidade vigente e aceitável", ressaltou Ualid Rabah.

Maria José El Saad, coordenadora do Cebrapaz em Foz do Iguaçu, ressaltou o sucesso do Ciclo de Debates, com casa lotada todos os dias, o que consolida e lembra a importância de debater temas desta magnitude. "A proposta é unir e criar mecanismos para que possamos repetir anualmente o evento, entrando no calendário turístico e cultural das cidades da fronteira e demonstrando a contribuição do cinema na defesa da autodeterminação dos povos".

Mônica Nasser assessora de imprensa do Projeto "Palestina Vive"

Pravda

O perigo, agora, é a Gripe do Pombo!

Surto que já matou 23 pessoas começou na região de Xangai.
Novo caso de gripe aviária no sul da China confirma avanço do vírus

A China informou neste sábado (27) o primeiro caso de H7N9 de gripe aviária na província de Hunan, ao sul, no mais recente sinal de que o vírus, que já matou 23 pessoas no país, continua a se espalhar.


A agência de notícias oficial Xinhua disse que a paciente é uma mulher de 64 anos de idade da cidade de Shaoyang que desenvolveu uma febre em 14 de abril, quatro dias depois de ter contato com aves. Sua condição melhorou com o tratamento, acrescentou a agência.

A gripe foi detectada pela primeira vez em março. Esta semana, a Organização Mundial da Saúde, classificou este vírus como "um dos mais letais", e disse que ele é mais facilmente transmitido do que o da cepa anterior que matou centenas de pessoas em todo o mundo desde 2003.

Nenhuma das 41 pessoas que entram em contato com a paciente Hunan recém-confirmada, identificada apenas pelo sobrenome Guan, tinha mostrado sintomas, disse a Xinhua.

Um homem de 54 anos de idade, que ficou doente na província de Jiangxi também estava sendo tratado em Hunan, onde foi diagnosticado com o H7N9, disse a Xinhua.

Os casos de Hunan vêm um dia depois de a província oriental de Fujian registrar seu primeiro caso e na mesma semana em que um homem em Taiwan registrou o primeiro caso de gripe fora da China continental. Ele pegou a gripe durante a viagem na China.

Os cientistas chineses confirmaram nesta quinta-feira (25) que as galinhas tinham transmitido a gripe aos humanos.

G1

Esse é o país construído pelo capitalismo de livre mercado!

Milhares de pobres vivem em túneis subterrâneos nos EUA


Nas cidades principais dos EUA, um dos países mais prósperos no mundo, milhares de pessoas sem lar vivem sob as ruas, em túneis subterrâneos.

Assim, sob Kansas City, a polícia descobriu, semana passada, uns túneis profundos onde morava em tendas um grupo de pessoas sem teto, as quais desalojou devido ao “entorno inseguro”.
As autoridades disseram que estas pessoas viviam na miséria, rodeadas de montes de lixo e fraldas sujas.


Não ficou claro quem exatamente são estas pessoas sem lar nem como cavaram túneis tão profundos. Este está longe de ser o único relatório sobre tal classe de moradia. Em 2010, foi divulgada a história de aproximadamente mil pessoas que moram em 321 quilômetros de túneis, situados abaixo das ruas de Las Vegas. Mobíliam seus habitáculos como podem, alguns têm camas, armários e até pequenas bibliotecas, compostas de livros abandonados.
“Estas são pessoas normais, de todas as idades, que perderam seu caminho, geralmente após um evento traumático”, contou Mateo O’Brien, um jornalista, que ao encontrar-se com “a gente do túnel” enquanto estava investigando um caso de assassinato, fundou uma organização para ajudá-los e, inclusive, escreveu um livro acerca do tema.

Segundo o jornalista, entre eles há muitos veteranos de guerra “que sofrem de estresse pós-traumático”. Ainda, O’Brien encontrou evidências (brinquedos e ursinhos de pelúcia) de que nos túneis também moram crianças.


Por seu lado, as autoridades da cidade de Nova York estão constantemente tentando expulsar as pessoas que moram nos túneis, sob a cidade, conhecidas como ‘gente toupeira’, mas suas tentativas de encontrá-las todos de momento fracassam.

Além dos milhares de vagabundos que moram em túneis, também há muitas pessoas cujos lares são tendas. Este é o caso de aproximadamente 80 indigentes da cidade de Lakewood, Nova Jersey, que montaram um acampamento que conta com galinhas, uma igreja e um piano.

Nos inícios deste mês de abril, os habitantes do acampamento chegaram a um acordo com as autoridades acerca dos detalhes de um plano para desalojar a zona, “depois de que seus residentes encontrem lares”.

Apesar de todas as afirmações do governo estadunidense de que a recessão no país terminou e as coisas estão melhorando, estes são exemplos que demonstram, claramente, que a pobreza e o número de famílias que não tem moradias neste país continuam aumentando. 

IRÃ News


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Lembrando: Nesta sexta tem inauguração da sede do PSOL Cabo Frio!


Convite para a inauguração do novo Diretório do PSOL Cabo Frio

O Diretório Municipal do PSOL- Cabo Frio tem a satisfação  de  convidar os seus filiados, militantes e simpatizantes para a nossa reunião, que se  realizará no dia  26 de abril  às 19h, na Rua Independência nº500 - Guarani- Cabo Frio.
                                                                           Professor Rogério Carvalho
Presidente do Diretório Municipal do PSOL- CABO FRIO

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Desisti de ser professor do Estado


Hoje tive o dia mais triste como professor. Não estou me referindo a nenhuma indisciplina ou necessariamente a baixo rendimento escolar de meus alunos.  

SOLICITEI A MINHA DISPENSA NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS  e fui surpreendido pelos meus alunos.     

Como sou muito exigente, muitas vezes coloco fardos pesados sobre meus alunos. Acreditava que a minha saída na transição dos bimestres seria encarada apenas como mais uma das tantas mudanças corriqueiras que ocorrem na Escola.

Estava enganado. Fui surpreendido pelo choro mais desolador que já vi em toda a minha vida. Minha maior tristeza foi pensar que eu poderia ser responsável por esse choro.

Jamais pensei que meus  ALUNOS DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS  fossem chorar por minha saída.

Preocupado com o que eu diria paraeles como motivo, preferi a verdade.  ESTOU SAINDO PORQUE NÃO CONSIGO ME SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS.  Como são crianças, muitas não entenderam o que eu queria dizer e me responderam novamente com o choro mais desolador que já vi ou causei em toda a
minha vida.

 “PROFESSOR NÃO NOS ABANDONE”! 

A criança não entende a opção que nós professores fazemos quando abandonamos a sala de aula. Uma de minhas alunas gritou: “Vou me mudar para a escola onde o senhor vai continuar como professor”. Nessa hora engasguei o choro e me perguntei como poderia ser isso? Se a maioria de nós no Brasil e na  REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS  não dispomos de recursos para bancar o ensino privado.

Algumas crianças se puseram na porta e tentavam impedir minha saída, sem palavras e assustado com o choro e o pedido de que não as “abandonasse”, restou-me recolher na solidão de meu objetivo racional e deixar a sala com crianças chorosas como nunca vi a se despedirem com o olhar que jamais esquecerei, do professor que  NÃO CONSEGUIU SE SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS.      

Eu poderia recolher-me na vaidade, em pensar que sou um bom professor e que vou conseguir o melhor para mim.

Entretanto, sei que hoje a exemplo do que ocorreu comigo,  DEZENAS DE OUTROS PROFESSORES DEIXARAM A REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS POR NÃO CONSEGUIREM SE SUSTENTAR, ASSIM COMO TAMBÉM DEZENAS DE CRIANÇAS CHORARAM AO SE DESPEDIREM DE SEUS PROFESSORES.  
Resta-me na revolta implorar a todos os mineiros e brasileiros que lerem essa carta.

PELO AMOR DE DEUS! NÃO ACREDITEM NA EDUCAÇÃO FAZ DE CONTA DO GOVERNO DE MINAS GERAIS. O ESTADO FAZ DE CONTA QUE REMUNERA SEUS PROFESSORES, PROFESSORES INFELIZMENTE FAZEM DE CONTA QUE ENSINAM, ALUNOS FAZEM DE CONTA QUE APRENDEM E ATORES GLOBAIS FAZEM DE CONTA QUE FALAM DA MELHOR EDUCAÇÃO DO PAÍS.

O episódio dessa carta ocorreu NO DIA 18 DE ABRIL DE 2013 NA ESCOLA ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO EM BELO HORIZONTE. Infelizmente ocorreu também em dezenas de Escolas do Estado de Minas Gerais.  

ENQUANTO O GOVERNO DE MINAS PAGA MILHARES DE REIAIS A ATORES GLOBAIS PARA MENTIREM SOBRE A EDUCAÇÃO NO HORÁRIO NOBRE, NOSSAS CRIANÇAS CHORAM OS SEUS PROFESSORES QUE ESTÃO SAINDO PORQUE NÃO CONSEGUEM MAIS SE SUSTENTAR NO ESTADO.     

Prof. Juvenal Lima Gomes     
EX-PROFESSOR DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS 


Professor Zumbi parte 3


Cérebros de ouro? É a hora da colheita! rsrsrs

Por que o professor faz greve?!?


Muitos alunos e seus pais se perguntam se a greve dos professores é realmente necessária. Não será a greve um ato extremo?

A que se fazer outra pergunta: será extrema a situação dos professores brasileiros a ponto de se justificar uma greve?

Iniciemos com valores, ou seja, o salário do professor. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o salário do professor brasileiro é o terceiro mais baixo ente 38 países. No estado de São Paulo o valor hora/aula chega a ser menor do que cinco reais e se considerarmos a rede privada esse valor pode ser ainda menor.
Um professor que recebe este salário apresenta dificuldades para alimentar até mesmo a sua família. Com salários defasados, que não são corrigidos de acordo com a inflação, fica inviável qualquer tipo de acesso social. Milhares de professores passam a vida toda sem poderem ir ao teatro, ao cinema, ao circo com seus filhos porque o motivo é obvio: o salário não permite este tipo de “luxo”.

Um professor para poder ensinar deve estar bem alimentado, alinhado com suas necessidades materiais (e vejam que isso é a necessidade mais animal que possuímos) e culturais. Entretanto, com os salários defasados (ou atrasados) e com a precariedade cada vez maior nos espaços de ensino, fica cada vez mais difícil ser professor nos dias de hoje. De acordo com o DIEESE, o salário mínimo no mês de abril de 2013 deveria estar nas casas dos 2800,00 reais e o que vemos é absurdamente diferente disso. 

Observem que as palavras não são inocentes: Salário mínimo; ou seja, uma quantidade de valor que se recebe e que é o mínimo necessário para a reprodução da vida… E como apontei antes… A vida não é apenas o saciar da fome, as necessidades materiais como vestir, morar, se transportar. Isso é o elementar da existência, e para além desta necessidade, o professor (assim como todos os trabalhadores) possuem outras necessidades. O Professor, especificamente, para poder ensinar seus alunos além de bem alimentado (assim como os alunos) deve estar bem formado, buscando constantemente sua formação humana. O Professor além de comer deve possuir bons livros, bons meios de se comunicar com o mundo, estar sintonizado na realidade social, cultural, economia e política. Assim ele poderá apresentar uma pratica de ensino para seus alunos que seja capaz de contribuir para o desenvolvimento histórico da humanidade. Ele necessita possuir referências para possibilitar o desenvolvimento de referências em seus alunos (nossos filhos e filhas).

Um professor que sequer consegue atender as suas necessidades mais animais fica fragilizado para proporcionar uma prática de ensino realmente de qualidade. Como é que o professor contribuirá para uma educação realmente de qualidade se este não possui nem mesmo qualidade em seu corpo? Como é que nossos filhos poderão se referendar socialmente aos seus professores se estes são tratados com desprezo e exploração pelos governos? Como é que nossos filhos irão aprender se o educador é tratado como cachorro pelo Estado?
Imagino que a situação é de extrema violência contra os trabalhadores no mundo. Neste caso, dos professores e a greve, estou convencido de que a situação de extrema precarização é que impõem a necessidade de greve. A greve não é uma situação extrema. Ela é uma manifestação mínima e legitimada pela própria ideia de direito na sociedade capitalista e que os extremizados devem utilizar todas as vezes que a exploração der o seu mínimo sinal de existência!

E, por isso, termino dizendo que ato extremo é ver nossos filhos sendo degolados pelas falácias do Estado e não fazermos nada. Ato extremo é não estarmos na mesma trincheira daqueles que ensinam nossos filhos a serem verdadeiros e não serem covarde diante das injustiças. Ato extremo é ver aquele que ensina como inimigo. E, o extremo de tudo isso, é deixar nossos filhos e alunos jogados em um mundo de faz de contas enquanto o futuro lhes espera com crocodilos famintos.

Como parte de uma luta internacional, todos à greve já!

Convergência

Amira Hass: Uma jornalista israelense em terras palestinas

Amira Hass é considerada única jornalista israelense a residir junto aos palestinos nos territórios ocupados. Ao visitar São Paulo, ela fez um relato do difícil cotidiano das famílias palestinas diante das restrições impostas por Israel. 

Há um pouco mais de um mês do dia em que é tradicionalmente comemorado os 65 anos da Independência do Estado de Israel, foi realizado um debate “Jornalismo e política: a construção da imagem de Israel e da Palestina” no auditório da B'nai B'rith, em São Paulo, com a ilustre presença da jornalista israelense Amira Hass. Filha única de dois sobreviventes do holocausto nazista, Amira Hass nasceu em Jerusalém, onde estudou na renomada Universidade Hebraica de Jerusalém. 

Ao longo da sua carreira como jornalista, muito frustrada com os desdobramentos da primeira Intifada, sobretudo com relação à cobertura israelense frente aos desdobramentos das manifestações palestinas, decidiu trabalhar diretamente dentro dos locais de conflito, os territórios palestinos ocupados, em 1991 e, desde então foi considerada (até o ano de 2003) como a única jornalista israelense a residir junto aos palestinos em regiões como Gaza (1993) e Ramallah (1997). 

Em São Paulo, Hass relatou de maneira detalhada o modo pelo qual o discurso do holocausto é imposto dentro da sociedade palestina desde as primeiras migrações estrangeiras na região. É notado, no entanto que, a partir da fundação do Estado judeu, a história de Israel é permeada de inúmeras omissões, principalmente no que tange as esferas de comunicação e conhecimento. Sobre essa questão, Amira Hass ressaltou, diante de um público formado pela comunidade judaica de São Paulo, acerca do longo processo de destruição econômica, social e cultural da Palestina e dos palestinos desde antes de 1948. 

Foram os desdobramentos da chamada guerra de Independência, conhecida como a ‘Nakba’ (catástrofe, em português), capazes de acarretarem em grandes levas de refugiados, impedidos de retornarem as suas casas até os dias de hoje. E, os demais que permaneceram em seus territórios, passaram a conviver sob uma realidade de completa segregação. Isso ocorre porque os palestinos que vivem nos territórios ocupados tem o direito de locomoção extremamente limitado, sendo submetidos diariamente aos chamados ‘checks in points’ (ou “barreiras de segurança”) a fim de cruzarem algumas fronteiras municipais. A complexidade da situação é capaz de impedir que cidadãos que residem na Cisjordânia sejam, do mesmo modo, proibidos de visitarem a Faixa de Gaza e vice-versa. 

Todas as restrições relacionadas ao direito de locomoção de uma maneira geral, a qual abrange por sua vez, os direitos à visita, ao retorno dos refugiados da diáspora e de locomoção interna dentro dos territórios palestinos, tornam-se ainda mais urgentes, quando comparados ao tratamento dispensado à comunidade judaica da diáspora. Nesse caso, a chamada lei do Retorno, tende a beneficiar com direito à trabalho e moradia em Israel quaisquer indivíduo de origem judaica, incluindo aqueles que nunca estiveram naquela região. Tudo isso em detrimento de uma vasta comunidade palestina nascida no território compreendido pela Palestina histórica. 

Ainda com relação ao tratamento absolutamente desigual, Amira Hass não olvidou em mencionar o que seria a violação considerada mais grave e desigual, a questão da água. O seu testemunho revelou que os palestinos que vivem nos arredores dos luxuosos assentamentos judaicos, localizados na Cisjordânia, são obrigados a adaptarem suas rotinas com a escassez permanente no abastecimento de água para as suas necessidades básicas e, ao mesmo tempo, conviverem com a ostentação de piscinas bastante abundantes e exclusivas para os moradores estrangeiros. 

Viver do lado da ocupação, de acordo com a jornalista é acima de tudo, sobreviver com uma sensação de ameaça permanente. Isso ocorre porque não existe previsão para a cessação da ocupação, o que impede por sua vez que as famílias palestinas possam planejar seus futuros e que os territórios sob jurisdição israelense, tenham um desenvolvimento pleno. E, muito ironicamente toda a ocupação é mantido por razões de segurança, por parte de um Estado que detém um grande e treinado exército e um enorme aparato tecnológico. Toda a contradição presente na atual conjuntura israelense, segundo Hass tem grande probabilidade em provocar novas ondas de violência nos mesmo moldes de uma terceira Intifada. 

Antes de finalizar a sua apresentação e a fim de apontar possíveis soluções para o conflito entre Israel e a Palestina, foi durante o debate com o público que Amira Hass defendeu a proposta pela solução de dois Estados, não com sendo um projeto ideal, mas como uma alternativa possível para amenizar o atual estado de hostilidade entre ambos os lados do conflito. Ainda, enfatizou acerca do compromisso da comunidade judaica da diáspora para a viabilização da coexistência na região, para ela isso será possível a partir do momento em que houver uma recusa ao apoio ao atual governo do Estado de Israel e quando grande parte da comunidade judaica passarem a prestar mais atenção aos prejuízos causados historicamente ao povo palestino. 

Carta Maior

Por que os EUA enlouquecem somente com o “terror”?

As bombas na maratona provocaram uma reação que contrasta com a inércia sobre o controle de armas na semana passada. 
A pujante metrópole de Boston se transformou em uma cidade fantasma na sexta-feira. Quase um milhão de moradores foram instruídos a permanecer em casa — e obedeceram de boa vontade. Escolas e empresas foram fechadas; trens, metrôs e estradas, evacuados; ruas geralmente movimentadas lembravam um cenário de filme pós-apocalíptico; até os jogos de beisebol e eventos culturais foram cancelados — tudo por causa de um fugitivo de 19 anos, que estava a pé e fora claramente identificado pela mídia.


Os atos supostamente cometidos pelos bombardeadores da maratona de Boston, Dzhokhar Tsarnaev e seu irmão, Tamerlan, foram odiosos. Quatro pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas, algumas com membros destruídos e amputados.

Mas os londrinos, que sofreram o terror do IRA durante anos, poderiam ser perdoados por pensar que os Estados Unidos reagiram com certo exagero aos acontecimentos em Boston. Eles têm razão, mas em parte. O que nós vimos foi um frenesi coletivo como poucos já vistos nos EUA. Foi mais um lembrete deprimente de que, mais de 11 anos depois do 11 de Setembro, os norte-americanos ainda se permitem ser facilmente dominados pela “ameaça” do terrorismo.

Afinal, não foi a primeira vez que assassinos homicidas agiram em uma grande cidade americana. Em 2002, a capital, Washington, foi aterrorizada por dois atiradores errantes que atiravam aleatoriamente e mataram dez pessoas. Em fevereiro, um policial irritado, Christopher Dorner, assassinou quatro pessoas ao longo de vários dias em Los Angeles. Em nenhum dos casos as cidades foram colocadas em estado de sítio, talvez porque nenhum desses fatos foi rotulado com essa palavra magicamente evocativa e aparentemente aterrorizante para os americanos — “terrorismo”.

Certamente, as autoridades de Boston pareciam estar agindo com excesso de cautela. E é apropriado que os moradores de Boston sejam solicitados a tomar precauções ou manter os olhos abertos. Mas, ao deixar que um terrorista fugitivo paralisasse uma grande cidade americana, Boston não apenas cedeu a temores exagerados e irracionais, como enviou uma mensagem perigosa para todo aspirante a terrorista — se você quiser provocar o caos nos EUA, intimidar a população e perturbar a ordem pública, este é seu manual de instruções.

Deixando de lado o custo econômico e psicológico, o cerco também evitou uma captura mais rápida do suposto perpetrador, que só foi descoberto depois que moradores receberam o aviso de que estava tudo liberado e um homem em Watertown saiu para fumar um cigarro no quintal e encontrou um terrorista sangrando em seu barco.

Em certo sentido, há um viés positivo nisso — é um reflexo de que os norte-americanos não precisam se preocupar muito com o terrorismo. Uma população como a de Londres durante os bombardeios do IRA, a de Israel durante a segunda intifada ou a de Bagdá, praticamente todos os dias, torna-se imune à violência política aleatória. Os norte-americanos, que têm tão pouca experiência de terrorismo, falando de modo relativo, são mais inclinados a reagir com exagero — e fazer a pior suposição quando se trata da ameaça de um ataque terrorista. É como se de certa forma, na imaginação norte-americana, cada terrorista seja não apenas uma ameaça mortal, mas uma combinação mortífera de Jason Bourne e James Bond.


Os norte-americanos poderiam reagir do mesmo modo às verdadeiras ameaças existentes em seu país. Há algo bastante adequado e irônico no fato de o frenesi de Boston ter acontecido na mesma semana em que o Senado bloqueou a consideração de um projeto de lei de controle de armas que teria reforçado a checagem do histórico policial de qualquer pessoa que quisesse comprar uma arma. Mesmo que essa reforma seja apoiada por mais de 90% dos norte-americanos, e apesar de 56% dos senadores terem votado a favor dela, a minoria republicana impediu até que se realizasse uma votação do projeto, porque supostamente violaria os direitos dos “norte-americanos cumpridores da lei”, contidos na Segunda Emenda constitucional.

Então, para quem faz as contas: sitiar uma cidade norte-americana é uma reação adequada à ameaça de um terrorista; verificar o passado dos indivíduos para evitar que criminosos ou doentes mentais adquiram armas é um ataque inaceitável às liberdades civis. Tudo isso seria quase humor negro se não fosse pelo fato de que mais norte-americanos vão morrer desnecessariamente em consequência. Mais de 30 mil norte-americanos já morrem pela violência das armas todos os anos (comparados com os 17 que morreram no ano passado em atentados terroristas).

O que torna a violência armada nos EUA tão especialmente aterrorizante é que ela se tornou rotineira e banal. Depois do massacre de 20 crianças de um jardim de infância em Newtown, Connecticut, milhões de norte-americanos começaram a prestar mais atenção na ameaça da violência armada. Mas desde então a chacina diária produzida pelas armas continuou intensa e muitas vezes passou despercebida.

No mesmo dia das bombas na maratona de Boston, 11 norte-americanos foram mortos por armas. Breshauna Jackson, uma mulher grávida, foi morta em Dallas, supostamente por seu namorado. Em Richmond, Califórnia, James Tucker III foi morto a tiros por assaltantes desconhecidos enquanto andava de bicicleta. Nigel Hardy, um menino de 13 anos em Palmdale, Califórnia, que estava sofrendo bullying na escola, tirou a própria vida. Ele usou a arma que seu pai guardava em casa. E no Brooklyn, Nova York, uma policial de folga usou a pistola Glock 9mm de seu departamento para matar seu namorado, seu filho de 1 ano e a si própria.

Ao mesmo tempo que os investigadores empreendiam uma caçada elaborada aos bombardeadores da maratona, que terminou na noite de sexta-feira, outros 38 norte-americanos — com pouco alarde — morreram pela violência das armas. Um deles foi um morador de Boston de 22 anos. São uma pequena porcentagem dos 3.531 norte-americanos mortos por armas nos últimos quatro meses — um total que ultrapassa o número de norte-americanos que morreram no 11 de Setembro e é quase igual ao número de soldados norte-americanos que perderam a vida em operações de combate no Iraque. Mas nada dessa violência diária foi considerada urgente o bastante para motivar o Congresso a impor uma restrição moderada e sensata aos compradores de armas.

Não são apenas as armas de fogo que produzem essa inação legislativa. Na semana passada, uma usina de fertilizantes em West, no Texas, que não era inspecionada por órgãos federais desde 1985, explodiu, matando 14 pessoas e ferindo inúmeras outras. Mas muitos republicanos querem cortar ainda mais o financiamento da agência (OSHA) que é responsável por essas vistorias. A vasta maioria dos norte-americanos morre de uma de quatro doenças — problemas cardiovasculares, câncer, diabetes e doença crônica do pulmão –, no entanto, os republicanos realizaram três dúzias de votações para rejeitar o Obamacare, que expande a cobertura do seguro-saúde para 30 milhões de norte-americanos.

É uma dinâmica surreal e difícil de explicar. Os norte-americanos aparentemente depositam um medo incomum na violência que é aleatória e inexplicável e pode ser atribuída a “outros” — jihadistas, terroristas, malfeitores, etc. Mas os perigos que espreitam ao redor de todos nós — armas, dietas prejudiciais à saúde, locais de trabalho que matam 14 norte-americanos todos os dias — são aceitos apenas como parte da vida, o preço da liberdade, digamos. E assim a violência continua, com mais norte-americanos morrendo mortes evitáveis. Mas, ora, veja o lado positivo! Nós pegamos os filhos da puta que explodiram a maratona.



Michael Cohen Guardian

terça-feira, 23 de abril de 2013

Sirius: o maior projeto da ciência brasileira


Novo acelerador de partículas brasileiro começa a virar realidade em Campinas

O maior projeto da história da ciência brasileira está prestes a sair do papel. Nas próximas semanas deve ter início o trabalho de limpeza do terreno para construção do novo acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas. Com um anel de mais de 500 metros de circunferência, instalado num prédio de 250 metros de diâmetro – do tamanho de um estádio de futebol – a nova máquina será cinco vezes maior e muito mais avançada do que a atual, que será desmontada.

O custo total do projeto, batizado como Sirius (nome da estrela mais brilhante no céu), é estimado em R$ 650 milhões, com o primeiro feixe de luz previsto para 2016. Outro grande projeto federal, do Reator Multipropósito Brasileiro, a ser construído em Iperó (também no interior paulista), tem um orçamento maior, de R$ 850 milhões, mas sua missão principal será a produção de radioisótopos para uso médico e industrial, e não a produção de ciência. “Se você pensar numa infraestrutura dedicada exclusivamente à pesquisa, o Sirius certamente é o maior”, diz o físico Antonio José Roque da Silva, diretor do LNLS.

A expectativa na comunidade científica é igualmente grande. A luz síncrotron (uma radiação eletromagnética de amplo espectro, que abrange desde o infravermelho até os raios X) é usada em várias áreas de pesquisa, como física, química, biologia, geologia, nanotecnologia, engenharia de materiais e até paleontologia. O acelerador funciona como um gigantesco microscópio, que os cientistas utilizam para enxergar a estrutura atômica e molecular de diferentes materiais, iluminando-os com os diferentes tipos de radiação presentes na luz síncrotron. Pode ser uma rocha, uma proteína, uma amostra de solo, um dente de dinossauro, um cabo de aço usado em plataformas de petróleo, um fio de cabelo tratado com diferentes tipos de xampu, ou qualquer outra coisa que se queira conhecer nos mínimos detalhes.

“É o sonho de entender materiais, tanto do ponto de vista estrutural quanto funcional”, afirma Roque. Com a luz síncrotron, é possível saber, por exemplo, que tipos de átomos e moléculas fazem parte de um material, qual é a distância entre eles, como eles interagem entre si, quais são suas propriedades magnéticas e várias outras coisas. São “olhos microscópicos”, nas palavras do diretor científico do LNLS, o brasileiro Harry Westfahl.

A luz é gerada pela aceleração de elétrons, que viajam dentro de um anel de 518 metros de comprimento (165 metros de diâmetro) a uma velocidade muito próxima (99,999999%) da velocidade da luz, que é de aproximadamente 300 mil km/s. A diferença do Grande Colisor de Hádrons (LHC) na Europa e de outros colisores de partículas é que os elétrons, neste caso, não se chocam uns contra os outros em nenhum momento; viajam todos na mesma direção.

O acelerador brasileiro atual, chamado UVX, entrou em operação em 1997 e atende cerca de 1,4 mil pesquisadores por ano, com quase 3 mil trabalhos científicos publicados nos últimos 16 anos. A máquina tem 18 “linhas de luz”, que são as estações de trabalho nas quais os pesquisadores realizam seus experimentos com a luz que sai do anel. Elas funcionam simultaneamente, mas cada uma é otimizada para um tipo de pesquisa. “A luz que sai do anel contém todas as frequências de onda. É só nas linhas de luz que uma frequência específica é escolhida, por meio de filtros chamados monocromadores, de acordo com a necessidade do experimento que vai ser realizado”, explica Roque.

O Sirius começará a operar com 13 linhas de luz – suficientes, já, para atender toda a demanda atual do UVX –, mas poderá chegar a 40. A nova máquina não será apenas maior, mas também substancialmente melhor do que a atual em vários aspectos, produzindo uma luz muito mais brilhante, que permitirá ampliar consideravelmente o seu leque de aplicações.
Projeto Sirius será construído em Campinas e custará R$650 milhões
Pioneirismo
Será a única máquina do tipo na América Latina e apenas a segunda no Hemisfério Sul, além de uma na Austrália. Mais do que isso, suas especificações técnicas deverão colocá-la na linha de frente das melhores fontes de luz síncrotron do mundo. “O Sirius será a máquina de maior brilho na sua classe de energia”, garante Roque.

A energia operacional do Sirius será de 3 bilhões de elétrons-volts (GeV), comparada ao bem mais modesto 1,37 bilhão de elétrons-volts do UVX. Isso, associado a uma série de outras especificações técnicas da máquina (como a configuração de magnetos ao redor do anel), permitirá produzir feixes de fótons (luz) muito mais brilhantes do que os atuais. Uma vantagem crucial é que será possível produzir um tipo de raio X mais energético, conhecido como “duro”, capaz de penetrar materiais mais espessos – algo que a máquina atual tem dificuldade de fazer. O limite de energia dos fótons nas linhas de luz do Sirius será de 250 mil elétrons-volts (KeV), comparado a 30 mil elétrons-volts no UVX, que é um limite inferior de energia dos raios X duros.

“O brilho do Sirius será maior do que o do UVX em todas as faixas de luz, mas nos raios X a diferença será gritante; bilhões de vezes maior”, afirma Roque.

Outro grande diferencial da máquina será a sua baixa emitância, uma característica relacionada ao tamanho da fonte e ao diâmetro do facho de luz gerado por ela, que será de 0,28 nanômetro-radiano (nm.rad), comparado a 100 nanômetros-radianos do UVX. É a menor emitância de qualquer fonte de luz síncrotron em operação ou sendo projetada no mundo, segundo Roque.

Para entender a diferença, de uma forma geral, pode-se pensar numa comparação entre o facho de luz produzido por uma lanterna e o feixe produzido por um apontador laser: a energia (quantidade de fótons) pode até ser a mesma, mas o brilho do laser é muito maior.

“Tem tudo para ser uma das duas melhores máquinas do planeta”, concorda o físico francês Yves Petroff, um dos maiores especialistas do mundo no assunto, ex-diretor do maior laboratório de luz síncrotron europeu (o ESRF, em Grenoble, na França) e ex-diretor científico do LNLS. “É o projeto mais moderno que se pode fazer com a tecnologia hoje.”

A expectativa, portanto, é que o Sirius atraia ainda mais pesquisadores estrangeiros para o Brasil; e não apenas da América Latina, mas também dos EUA e da Europa. “Os cientistas vão aonde houver os melhores equipamentos”, afirma Petroff. Ele cita o exemplo da moderna fonte de luz síncrotron de Taiwan, que atrai muitos pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa.

Cerca de 20% dos usuários do UVX já são estrangeiros. “Bons equipamentos atraem bons pesquisadores”, diz Petroff, que contou ter vindo para o LNLS com a intenção de ficar seis meses, em 2009, mas acabou ficando três anos. “Vim porque tinha vários brasileiros no meu laboratório na França e porque gostei do que fizeram aqui no passado”, contou ele ao Estado em março, pouco antes de voltar para a França.


O Sirius terá 146 metros de diâmetro, contra os 30 metros do UVX, e terá 40 estações experimentais

“Dinheiro para o projeto está garantido”, diz secretário do MCTI
Os R$ 650 milhões necessários para colocar o Sirius de pé e funcionando ainda não estão garantidos legalmente, mas o secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Elias, garante que eles aparecerão. “Estamos ainda finalizando algumas negociações, mas posso te dizer que os recursos estão assegurados”, disse ao Estado na quinta-feira. “Estamos no cronograma e não haverá atrasos. O projeto vai acontecer.”

Segundo ele, o ministério está negociando com vários parceiros para dividir os custos do projeto e ampliar o leque de usuários da máquina, tanto no setor público quanto no privado. Entre eles, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrobrás e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de outras fundações e empresas nacionais.

“O MCTI está assegurando isso como um projeto estratégico para o País”, afirma Elias. “Eventualmente, caso não se garanta alguma parte desses R$ 650 milhões, o ministério vai bancar (o que faltar).”
O projeto executivo, que custou R$ 6 milhões, deve ser finalizado em julho. O terreno onde o prédio será construído, de 150 mil m², que pertence ao banco Santander, está sendo desapropriado pelo governo do Estado (por R$ 23 milhões) e será cedido ao LNLS para o projeto. Faltam apenas algumas etapas burocráticas para a terraplanagem começar.

“A expectativa é que a desapropriação esteja concluída agora em maio. Assim que a nova escritura estiver lavrada, entramos com os tratores”, diz o diretor do LNLS, Antonio José Roque da Silva.
O acelerador atual do LNLS, visto de cima. A parte central é o anel de aceleração de elétrons. As estruturas externas ao anel são as linhas de luz e estações de trabalho dos pesquisadores.
Confiança
Para o engenheiro e físico Ricardo Rodrigues, responsável pelo projeto dos aceleradores, o maior desafio de construir o Sirius será o “excesso de experiência” adquirido pela equipe nos últimos 30 anos, desde que ele, em 1984, recrutou três alunos de graduação para ir à Universidade Stanford com ele fazer um estágio de dois meses para desenvolver o projeto do acelerador atual. Uma iniciativa mais ousada ainda do que a atual, dada as limitações técnicas, industriais e orçamentárias da época.

Quando a primeira equipe do LNLS começou a ser contratada para tocar o projeto, em 1987, Rodrigues também fez questão de selecionar pessoas jovens, recém-formadas e “sem vícios”, que poderiam “ser enganadas” a acreditar que o projeto daria certo. Que foi o que aconteceu. “Sempre digo para o pessoal que começou comigo: ‘Isso só deu certo porque vocês foram idiotas o suficiente para acreditar que daria’”, conta Rodrigues – rindo e falando sério ao mesmo tempo. “Hoje já está todo mundo muito calejado, muito pessimista.”

Ainda assim, ele mantém o otimismo e espera colocar sua experiência “calejada” em prática de novo o mais rápido possível. “Se sair o dinheiro, garanto que entrego para as Olimpíadas.”

O plano é colocar o Sirius para funcionar e produzir o primeiro feixe de luz em 2016. Após essa inauguração, a máquina passará por um período de comissionamento, em que vários testes serão realizados para garantir que ela está funcionando da melhor forma possível. Isso pode demorar vários meses ou até um ano, o que é comum em casos de telescópios e outros equipamentos de grande porte e complexidade como esse. “Não é uma máquina que você liga na tomada e já funciona perfeitamente da primeira vez”, afirma Roque. “O plano é abrir para os usuários e começar a produzir ciência em 2017.”

Assim como a fonte de luz atual, o Sirius será construído majoritariamente (cerca de 70%) no Brasil – com a vantagem de que agora há várias empresas nacionais que poderão participar do projeto, enquanto que para o UVX quase tudo, incluindo os magnetos, precisou ser projetado e construído “do zero” dentro do próprio LNLS. Alguns componentes serão comprados fora, mas o projeto é 100% brasileiro. “Não somos participantes de um projeto internacional; o projeto é nosso”, afirma Roque.

“É um projeto tão bom quanto o da Suécia, só que mais simples e mais barato”, afirma Rodrigues, referindo-se a uma fonte de luz síncrotron semelhante que está sendo construída naquele país.
Um pesquisador argentino observa sua amostra na ponta de uma das linhas de luz do LNLS. 
Rodrigues é responsável pelos aceleradores. Pelas linhas de luz, o responsável é o diretor científico do LNLS, Harry Westfahl, e pelo prédio que abrigará a máquina, o responsável é Oscar Vigna. Roberta Gomes faz a gestão do projeto (cronograma e financeiro) e Cleonice Ywamoto, a gestão administrativa. Todos sob a coordenação de Roque.

Retorno às origens 
De certa forma, o Sirius é um retorno às origens do UVX, que foi inicialmente projetado para operar com 3 GeV de energia, mas acabou sendo reduzido para 1,37 GeV, por falta de recursos.

“Desde o início a ideia era que o Brasil precisava de um síncrotron de 3 GeV”, conta o pesquisador argentino Aldo Craievich, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, outra figura importante na história do LNLS. “Fizemos uma máquina que funciona de maneira muito satisfatória há mais de 15 anos, mas chegou a hora de pensar em crescer de novo, não só na energia como no brilho. Finalmente o Brasil terá uma fonte de luz à altura da sexta economia do mundo.”


Segundo Roque, há mais de 60 fontes de luz síncrotron em operação no mundo, além de outras que estão em construção ou sendo projetadas, o que mostra a importância dessa tecnologia para o desenvolvimento científico e industrial de um país.

“Há cada vez mais máquinas, e mesmo assim o número de usuários não para de crescer, porque novas tecnologias continuam a aparecer”, diz o físico francês Yves Petroff, ex-diretor do Laboratório Europeu de Radiação Síncrotron (ESRF). Lá, segundo ele, o número de usuários cresceu de 4.500 por ano em 2002 para cerca de 7.000 por ano, em 2012.

Ciência 
Umas das áreas da ciência que vem acrescentando muitos usuários às fontes de luz síncrotron, segundo Petroff, é a paleontologia. Com os avanços tecnológicos das linhas de luz, tornou-se possível fazer “tomografias” de altíssima definição de fósseis, sem precisar desmontá-los. Um bom exemplo é um trabalho publicado no início deste mês na revista Nature, em que pesquisadores utilizaram radiação síncrotron para visualizar a estrutura interna de ossos de embriões de dinossauro descobertos na China.

Uma aplicação mais clássica da luz síncrotron é na elucidação da estrutura molecular de proteínas, cujo conhecimento é essencial para o entendimento de suas propriedades e funções. Uma técnica que remete à histórica descoberta da estrutura de dupla hélice do DNA, por Watson e Crick, que completa 60 anos no final deste mês. A descoberta, em 1953, foi feita por meio de “fotos” da molécula de DNA feitas com raios X. Hoje, continua-se a fazer o mesmo com os raios X da luz síncrotron, só que com uma precisão muito maior.

Herton Escobar Estadão


Opinião do professor é nula no debate sobre educação!


O professor ensina a tabuada, história do Brasil, geopolítica, o mistério dos olhos de ressaca de Capitu, os catetos e o quadrado da hipotenusa. Comanda aulas em escolas distantes, pobres e improvisadas e, sobretudo, conhece de perto os alunos que o País quer educar. Mas, quando o assunto é a melhoria e os desafios da educação, sua opinião no debate público simplesmente desaparece - seja porque não foi procurado, não quer ou não pode falar (ou acha que não deve).

Enquanto técnicos, políticos, pesquisadores, governos e empresários têm voz ativa em discussões que vão do currículo à formação docente, quem está "na ponta", ou seja, na sala de aula, não aparece. Mas qual a explicação para essa ausência?

Na busca por uma resposta, a jornalista Fernanda Campagnucci encontrou várias durante pesquisa de mestrado que finaliza na USP. "Existe uma configuração desfavorável para que os professores participem do debate público sobre educação, e isso leva ao silêncio dos docentes", explica ela, que é editora do Observatório da Educação, boletim da ONG Ação Educativa.

Essa configuração citada por Fernanda se constrói com base em um processo em que se articulam fatores como o papel do professor na sociedade, representações que circulam no imaginário social, como o despreparo dos docentes, e também a existência de mecanismos administrativos e burocráticos que tolhem a liberdade de expressão.
Professor da rede estadual de São Paulo em Piracicaba, no interior, Fabio Laismann, de 42 anos, é contundente: "Quem se posiciona tem problemas", diz ele. "Mas ainda assim prefiro não ficar neutro." Laismann afirma que se posicionar na imprensa ou mesmo dentro das escolas não é uma cultura bem-vinda no ambiente. "Quando tem opinião, o professor perde espaço, sofre coação e fica visado."

Citando uma música do grupo O Rappa, ele lembra que esse silêncio faz muito mal à categoria. "Paz sem voz é medo, não adianta fugirmos dos problemas. O professor é quem está na sala, ele sabe o que funciona."

De acordo com o professor Francisco Carlos Telles Baldi, de 56 anos e 28 de sala de aula, há uma "interlocução falsa" nas escolas. "Parece que somos ouvidos nas reuniões, mas isso não vai para cima." Ele próprio acredita que a categoria tem a responsabilidade por não participar do debate. "Professores precisam ter a força de vontade para se envolver e também para se qualificar, porque até para isso há uma resistência."

Não há aspecto legal que proíba servidores de se manifestarem. É o que ressaltaram as secretarias de Educação do município e do Estado de São Paulo. A pasta estadual informou que "não compactua" com constrangimento e violação de direitos, entre eles o de livre expressão. "Todo servidor tem direito de se expressar", afirmou em nota.

Além de muitos professores duvidarem dessa garantia, permanece entre os profissionais da educação uma ideia de que realmente existe uma lei de mordaça. E não é por acaso: até 2009, no Estado, e 2010, na Prefeitura, um dispositivo do estatuto dos servidores tolhia o direito de expressão. As tais leis de mordaça foram revogadas, mas seu efeito ainda paira nas escolas.

Medo
A decisão pelo silêncio não é só na hora de criticar. Há alguns meses, o Estado procurou uma professora que havia confessado à reportagem que se sentia mais realizada ao dar aulas em escola pública na periferia do que em unidades particulares. No primeiro contato, empolgação sobre a oportunidade de falar sobre o assunto. Mas, em seguida, a frustração. "Conversei com os colegas e me disseram que não posso falar sem autorização, prefiro não prejudicar minha carreira", disse. E não houve argumento que a fez mudar de ideia.

O professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse acredita que haja um exagero. "Esse medo de punição talvez seja exagerado", diz ele, que contabiliza entre 100 e 200 entrevistas por ano. Alavarse ressalta outros fatores, como o receio de o professor ser exposto na mesma medida das notícias negativas sobre o ensino público. "Há também um tipo de medo pelo suposto controle político da imprensa, que a frase será deturpada, amalgamada. Mas é um risco que sempre vai existir, até na sala."

Para Fernanda Campagnucci a voz do professor é essencial para a melhora da educação. "A sociedade tem muito a ganhar, mas ele tem de se dispor."

PAULO SALDAÑA  Estadão